Comportamento e Bem-Estar das Aves de Corte

Série: Comportamento e Bem-estar Animal/Aves Domesticas: Galinhas  Projetos: Aprendendo com os animais e Plantas na Mini Fazenda ICA/UFMG. Artigo Técnico/ Conscientização/ Ponto de Vista nº 1 Autores: Jhenifer Tauane Ribeiro de Brito, Kaio Gabriel de Souza Siqueira, Roberth Mendes da Silva Orientador: Délcio César Cordeiro Rocha ICA/UFMG

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Doutor Zoo

6/25/2026

ORIGEM, LINHAGENS E BEM-ESTAR DE AVES DE CORTE: UMA ABORDAGEM TÉCNICA SOBRE COMPORTAMENTO NATURAL E MANEJO ADEQUADO

Série: Comportamento e Bem-estar Animal/Aves Domesticas: Galinhas de Corte

Projetos: Aprendendo com os animais e Plantas na Mini Fazenda ICA/UFMG.

Artigo Técnico/ Conscientização/ Ponto de Vista nº 1

Autores: Jhenifer Tauane Ribeiro de Brito, Kaio Gabriel de Souza Siqueira, Roberth Mendes da Silva

Orientador: Délcio César Cordeiro Rocha ICA/UFMG

RESUMO

A avicultura de corte brasileira destaca-se como uma das mais eficientes do mundo, resultado de avanços genéticos, nutricionais e de manejo. No entanto, a crescente demanda por sistemas produtivos mais éticos e sustentáveis tem colocado o bem-estar animal no centro das discussões do setor. O presente artigo técnico aborda a origem das aves de corte, a evolução das linhagens comerciais e a importância do conhecimento do comportamento natural para a implementação de práticas de manejo que promovam a saúde e o bem-estar. Discute-se a aplicação do enriquecimento ambiental, os desafios do estresse térmico e a necessidade de capacitação da mão de obra, à luz das diretrizes nacionais e internacionais.

Palavras-chave: Avicultura. Frango de corte. Bem-estar animal. Comportamento. Manejo.

INTRODUÇÃO

A produção de frangos de corte no Brasil é um pilar fundamental da agropecuária nacional, inserindo o país como o maior exportador mundial e o segundo maior produtor de carne de frango. Este protagonismo é resultado de uma cadeia produtiva altamente integrada e tecnificada, que investe continuamente em genética, nutrição e manejo. Contudo, a busca por eficiência produtiva, com ganhos de peso cada vez mais rápidos e idades de abate reduzidas, frequentemente tensionou o equilíbrio entre produtividade e o bem-estar dos animais .

Nas últimas décadas, a sociedade e os mercados consumidores tornaram-se mais exigentes, pressionando o setor a adotar práticas que vão além dos índices zootécnicos. O conceito de bem-estar animal, ancorado no princípio das "Cinco Liberdades", ganhou relevância, sendo incorporado em legislações, protocolos de certificação e na própria rotina das granjas. Este artigo explora a trajetória das aves de corte, desde sua origem até as linhagens modernas, e analisa como o manejo adequado e o entendimento do comportamento natural são cruciais para garantir não apenas a saúde e o conforto dos animais, mas também a sustentabilidade e a competitividade do setor avícola brasileiro.

ORIGEM E LINHAGENS DE AVES DE CORTE

A domesticação da galinha (Gallus gallus domesticus) remonta a milhares de anos no Sudeste Asiático, com evidências de sua introdução no Brasil pelos colonizadores portugueses. Essas aves, de origens diversas, eram criadas de forma extensiva para a subsistência, sem o rigoroso controle genético que se vê hoje.

O avanço da ciência genética, especialmente a partir do século XX, revolucionou a avicultura. As linhagens modernas de frangos de corte, como as da Cobb-Vantress e da Aviagen (Ross), são o resultado de um intenso programa de melhoramento genético, focando em características como alta taxa de crescimento, excelente conversão alimentar, maior rendimento de peito e resistência a doenças. Essas linhagens são multiplicadas e comercializadas como matrizes e pintos de um dia para produtores integrados, representando o auge da eficiência produtiva. A genética atual permite que um frango atinja o peso de abate (cerca de 2,4 kg) em aproximadamente 42 dias, um feito notável que atende à demanda por proteína de alta qualidade e baixo custo, conforme discutido por Mazuko (2022)

A origem das aves de corte, também conhecidas como aves de produção, remonta à domesticação de espécies silvestres que foram adaptadas ao ambiente humano. Embora a história dessa domesticação seja complexa, há um consenso de que várias espécies de aves, principalmente aves como galinhas, patos e gansos, desempenharam um papel fundamental no desenvolvimento da avicultura moderna.

A domesticação da galinha, por exemplo, é um dos casos mais notáveis. Acredita-se que elas tenham sido inicialmente domesticadas a partir de aves selvagens conhecidas como o galo-vermelho (Gallus gallus) no sudeste asiático, por volta de 8.000 anos atrás. Sua versatilidade como fonte de carne e ovos fez com que essas aves se espalhassem rapidamente pelas diversas culturas. Além disso, a domesticação das aves de corte não só atendia às necessidades alimentares humanas, mas também facilitava a realização de rituais e festividades em muitas sociedades antigas.

Outra teoria sobre a origem das aves de corte envolve a migração e comércio entre diferentes civilizações. Com o crescimento das rotas comerciais, as aves de corte foram levadas para novas regiões, onde foram adaptadas às condições locais e aprimoradas através de processos seletivos. Essas trocas culturais também resultaram no intercâmbio de práticas de manejo, contribuindo para a diversificação das raças e variedades de aves. Tais práticas ajudaram tanto no aumento da produção quanto na melhoria da resistência das aves a doenças.

As aves de corte desempenharam um papel vital na agricultura ao longo da história, servindo não apenas como fonte de proteína, mas também como parte do ciclo agrícola, promovendo a fertilidade do solo através de suas fezes. Assim, a história das aves de corte está intimamente ligada à evolução da agricultura e à alimentação humana ao longo do tempo, mostrando a importância dessas aves na segurança alimentar global.

As Aves de Corte Vieram com os Portugueses

As aves de corte desempenharam um papel significativo na formação da agricultura e da cultura alimentar do Brasil desde a chegada dos colonizadores portugueses no século XVI. Durante este período de colonização, os portugueses trouxeram diversas espécies de aves, principalmente galinhas, que se tornaram fundamentais na dieta dos habitantes locais. Essas aves não apenas forneceram carne, mas também ovos, tornando-se uma fonte de proteína essencial para a população crescente.

A introdução das aves de corte pelos portugueses foi um reflexo de suas práticas agrícolas sustentáveis e conhecimentos sobre a avicultura. As galinhas, em particular, se adaptaram rapidamente ao novo ambiente tropical, estabelecendo-se em diversas regiões do país. Essa adaptação foi crucial, pois as aves de corte tiveram que lidar com diferentes climas e ecossistemas, desde as áreas litorâneas até as regiões interiores mais secas.

Além de suas contribuições alimentares, as aves de corte também influenciaram a cultura local. O uso de galinhas em festividades, a criação de pratos típicos e a inter-relação com os rituais da cultura africana, trazidos por escravizados, evidenciam como esses animais foram incorporados na rotina de vida dos brasileiros. O frango, um dos principais produtos resultantes desse manejo, tornou-se um ingrediente básico da culinária brasileira, aproximando-se de receitas tradicionais que refletem esta diversidade cultural.

Através da observação de como essas aves de corte se adaptaram e prosperaram no Brasil, podemos entender a importância de práticas de manejo adequadas que honoram tanto a origem das aves quanto sua nova identidade no contexto brasileiro. Essa intersecção histórica destaca não apenas a adaptação das aves trazidas pelos portugueses, mas também a riqueza da cultura alimentar que se desenvolveu ao longo dos séculos.

Linhagens das Aves de Corte

As aves de corte são divididas em várias linhagens que apresentam características distintas, essenciais para atender às demandas de diferentes sistemas de produção. Entre as linhagens mais conhecidas, destacam-se as galinhas caipiras e as galinhas industrializadas, cada uma com suas particularidades em termos de aparência, comportamento e adaptabilidade ao ambiente.

A linhagem de galinhas caipiras é frequentemente apreciada por sua rusticidade e habilidade em se adaptar a sistemas de criação menos intensivos. Essas aves geralmente possuem penas coloridas, o que as torna visualmente atraentes. Além disso, seu comportamento mais ativo e exploratório permite que elas se integrem melhor ao ambiente rural, proporcionando uma alimentação mais diversificada. Essa linhagem tende a ter um crescimento mais lento em comparação com as galinhas industrializadas, refletindo uma alimentação mais natural e menos dependente de rações comerciais.

Por outro lado, as galinhas industrializadas foram desenvolvidas para maximizar a produção de carne e ovos. Essas aves são geneticamente selecionadas para crescer rapidamente e atingir o peso desejado em um curto período. Por essa razão, elas apresentam características físicas distintas, como um corpo mais robusto e musculoso. No entanto, essa ênfase na produção em massa pode resultar em um comportamento menos ativo e um maior estresse em ambientes superlotados, o que levanta preocupações sobre o bem-estar animal.

Além dessas duas linhagens principais, existem outras variedades de aves de corte que oferecem características únicas, com diferentes capacidades de adaptação a contextos específicos. Por exemplo, algumas linhagens são criadas para resistir a doenças e condições climáticas adversas, o que é um fator crucial para a sustentabilidade da produção avícola. A escolha da linhagem adequada é, portanto, um aspecto essencial do manejo das aves de corte, influenciando tanto a produtividade quanto o bem-estar das aves em questão.

Características das Aves de Corte

As aves de corte, como galinhas, patos e perus, apresentam características específicas que influenciam diretamente seu manejo e produção. Uma das principais características observadas é o tamanho. As aves de corte variam consideravelmente, com algumas raças pesando mais de cinco quilos quando estão prontas para o abate, enquanto outras podem ser significativamente mais leves. Esse fator é crucial para determinar a eficiência de conversão alimentar e o tempo necessário para atingir o peso ideal para o mercado.

A plumagem das aves de corte também é uma característica significativa. A cor e a textura da plumagem podem variar entre as raças, o que não apenas contribui para a estética do animal, mas também pode influenciar sua adaptação a diferentes ambientes. A plumagem densa pode oferecer melhor isolamento térmico, enquanto plumagens mais finas podem ser mais adequadas para climas quentes. Esta variabilidade deve ser considerada no manejo, garantindo que as condições ambientais sejam otimizadas para a saúde das aves.

Outro aspecto importante é o tipo de bico e a estrutura óssea. As aves de corte possuem bicos especializados que variam conforme a dieta e os hábitos alimentares. Por exemplo, galinhas possuem bicos curtos e robustos, adaptados para ciscar no chão, enquanto patos têm bicos mais largos, ideais para filtrar alimentos aquáticos. Além disso, a estrutura óssea é um fator determinante na mobilidade e na resistência das aves. Um esqueleto excessivamente leve pode resultar em problemas de saúde, como fraturas, enquanto um esqueleto robusto proporciona maior resistência sem comprometer a agilidade.

Essas características das aves de corte são fundamentais não apenas para o bem-estar e saúde das aves, mas também para a sustentabilidade e eficiência na produção avícola. A compreensão dessas particularidades permite que os criadores implementem estratégias de manejo mais adequadas, garantindo a produção de carne e ovos de qualidade, além de uma criação éticamente responsável.

COMPORTAMENTOS NATURAIS E BEM-ESTAR ANIMAL

Apesar do intenso melhoramento genético para produção, os frangos de corte mantêm em seu repertório comportamental uma série de instintos de seus ancestrais selvagens. Compreender esses comportamentos é fundamental para avaliar e promover o bem-estar animal.

O bem-estar em frangos de corte é um conceito multidimensional que vai além da ausência de doenças ou de estresse. Conforme definido por especialistas e organismos como a MSD Saúde Animal, garantir o bem-estar significa assegurar que cada ave tenha boas condições de saúde, nutrição, conforto e, crucialmente, possa expressar seu comportamento natural . Essa expressão comportamental é diretamente influenciada pela qualidade do ambiente e do manejo ao qual as aves são submetidas.

Os principais comportamentos naturais relevantes para a criação de frangos de corte incluem:

  • Ciscar e Forragear: Ação instintiva de buscar alimento no chão, essencial para a atividade e exploração do ambiente.

  • Empoleirar-se: O ato de pousar e permanecer em um local elevado proporciona sensação de segurança e é um comportamento natural de descanso. Pesquisas indicam que mesmo frangos de corte, desde que não apresentem problemas podais, demonstram a capacidade e o desejo de se empoleirar .

  • Banho de Areia (Espojar): Comportamento importante para a manutenção da plumagem e controle de ectoparasitas, além de ser um indicativo de conforto .

  • Interação Social: Estabelecem hierarquias, e um ambiente com espaço e enriquecimento adequado reduz a incidência de comportamentos agressivos e canibalismo .

Comportamentos Naturais das Aves de Corte

As aves de corte, conhecidas por sua beleza e diversidade, apresentam uma gama significativa de comportamentos naturais que são essenciais para sua sobrevivência e reprodução. Esses comportamentos podem ser observados em seus habitats naturais e desempenham um papel crucial no manejo adequado dessas aves em cativeiro. Um dos aspectos mais importantes é o seu hábito alimentar. As aves de corte são geralmente onívoras, com dietas que incluem sementes, frutas, insetos, e até pequenos vertebrados, dependendo da espécie. Essa variedade na alimentação não apenas fornece os nutrientes necessários, mas também influencia a sua saúde e comportamento geral.

A socialização é outro comportamento notável. Muitas aves de corte vivem em grupos, o que promove interações sociais complexas e hierarquias entre membros da espécie. Essas dinâmicas sociais são fundamentais tanto na vida selvagem quanto em ambientes controlados, pois reduzem o estresse e melhoram o bem-estar das aves. A observação de interações sociais permite que tratadores e pesquisadores entendam a necessidade de espaço e companhia para essas aves, favorecendo práticas de manejo que respeitem esses instintos naturais.

Além disso, o comportamento reprodutivo das aves de corte é igualmente fascinante. Muitas espécies formam pares monogâmicos e participam ativamente dos cuidados parentais, com ambos os pais colaborando na construção do ninho e na alimentação dos filhotes. Esta cooperação é vital para a sobrevivência da prole e é uma prática que deve ser entendida e monitorada em contexto de manejo.

Em resumo, conhecer os comportamentos naturais das aves de corte não apenas proporciona um entendimento mais profundo dessas criaturas, mas também é vital para garantir que possam ser manejadas de forma eficiente e ética, promovendo sua saúde e bem-estar em cativeiro.

Bem-Estar Animal em Aves de Corte

O bem-estar animal é um conceito fundamental no manejo das aves de corte, uma vez que reflete diretamente na saúde, no crescimento e no desenvolvimento desses animais. Para que as aves de corte possam prosperar, é imprescindível proporcionar um ambiente adequado que atenda às suas necessidades biológicas e comportamentais. Isso inclui a oferta de espaço suficiente para a movimentação, permitindo que as aves exerçam comportamentos naturais, como ciscar e socializar.

A socialização é outro aspecto essencial no bem-estar das aves de corte. A criação em grupos possibilita interações sociais que são vitais para o comportamento saudável das aves. É importante que a densidade populacional seja cuidadosamente gerida, para evitar estresse e agressões entre os animais. Ambientes excessivamente lotados podem resultar em problemas de saúde e comportamento, como picadas de penas e competições por espaço e alimento. Assim, um manejo responsável deve focar na criação de grupos equilibrados.

Além disso, os cuidados médicos são fundamentais para manter o bem-estar das aves de corte. A monitoração da saúde deve incluir a vacinação, desparasitação e a realização de exames regulares. É essencial que os produtores estejam cientes das doenças mais comuns que podem afetar essas aves, garantindo a implementação de práticas de manejo que minimizem o risco de surtos e promovam a saúde do lote. As regulamentações que estabelecem normas de bem-estar animal atuam como diretrizes que ajudam a direcionar o manejo adequado das aves de corte, promovendo um ambiente em que os animais possam ser criados de forma ética e sustentável.

MANEJO ADEQUADO E INDICADORES DE BEM-ESTAR

O manejo adequado em um sistema de produção avícola deve ser planejado para atender às necessidades físicas e comportamentais das aves, minimizando o estresse. As práticas de manejo humanitário, conforme destacado por Guahyba, são baseadas em pilares que vão desde a nutrição até o abate, buscando uma criação ética e sustentável .

4.1 Ambiência e Enriquecimento Ambiental

A ambiência é o conjunto de fatores do ambiente físico que influenciam o conforto e a produtividade. A temperatura é um dos fatores mais críticos. O estresse térmico, tanto por calor quanto por frio, compromete o bem-estar e a performance. O pintinho, com seu sistema termorregulador imaturo, necessita de fontes de calor nas primeiras semanas, que devem ser ajustadas conforme a idade . Em regiões quentes, projetos de instalação com ventilação forçada e sistemas de sombreamento são essenciais para garantir o conforto térmico, sendo a densidade populacional um fator de controle direto .

Para estimular a expressão do comportamento natural, o enriquecimento ambiental tem se mostrado uma ferramenta poderosa. Técnicas como a distribuição de poleiros (a uma altura adequada para evitar lesões podais), cordas de sisal e fardos de serragem (para serem bicados e explorados) criam um ambiente mais dinâmico e menos estressante . Aves em ambientes enriquecidos tendem a ser mais calmas, apresentam menos comportamentos indesejáveis (como agressividade) e, consequentemente, melhor conversão alimentar .

4.2 Manejo Pré-Abate e Transporte

Uma das fases mais críticas para o bem-estar é o período que antecede o abate. O carregamento e o transporte são inerentemente estressantes. Estudos mostram que fatores como o método de apanha, o tempo de carregamento e a posição das caixas transportadoras têm influência direta no comportamento das aves, afetando seu bem-estar e a qualidade final da carne . Práticas como o manejo com cortinas fechadas (para reduzir a luminosidade e o estresse), a apanha cuidadosa das aves pelo dorso e a garantia de boa ventilação no caminhão são recomendadas para minimizar o sofrimento .

4.3 Saúde e Nutrição

A prevenção de doenças é o pilar de uma produção sustentável. Boas práticas de manejo, aliadas a uma nutrição adequada (ração 100% vegetal, em alguns sistemas), e a biosseguridade, minimizam a necessidade de intervenções medicamentosas e garantem a saúde do lote . O monitoramento constante das aves é a principal ferramenta do produtor, pois permite identificar precocemente problemas como claudicação, lesões de pé (pododermatite) ou alterações respiratórias . Como ressaltado por especialistas, a "ave se expressa" e cabe ao produtor entender o que ela está comunicando .

4.4 Manejo Adequado das Aves de Corte

O manejo adequado das aves de corte é fundamental para garantir não apenas a saúde das aves, mas também promover uma produção eficiente e sustentável. Este processo envolve diversas práticas, entre elas a alimentação, a vacinação, o manejo do espaço e as práticas sanitárias. Cada um desses elementos desempenha um papel crucial na manutenção do bem-estar das aves e na maximização da produtividade.

A alimentação das aves de corte deve ser balanceada e adequada às necessidades nutricionais de cada fase de crescimento. Rações comercializadas especialmente formuladas para aves de corte são disponíveis, e seu uso é altamente recomendado para assegurar um fornecimento equilibrado de proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais. É importante monitorar o consumo e a qualidade da água, além de proporcionar um ambiente limpo onde os alimentos possam ser oferecidos.

A vacinação, igualmente, deve ser considerada uma prioridade no manejo. A implementação de um programa de vacinação adequado pode proteger as aves contra doenças comuns que podem afetar a saúde do plantel. Consultas periódicas com um veterinário especializado em aves são fundamentais para determinar quais vacinas são necessárias, assim como para desenvolver um cronograma de imunização eficiente.

O manejo do espaço onde as aves são criadas também requer atenção. As aves de corte precisam de áreas suficientes para se movimentar, e o espaço deve ser projetado para promover a ventilação e evitar o acúmulo de umidade. Adicionalmente, a limpeza regular dos galpões e das instalações é vital para reduzir o risco de surtos de doenças.

Por último, a adoção de boas práticas sanitárias, que incluem a desinfecção regular das instalações e o controle do acesso de pessoas e animais, é indispensável para prevenir a introdução de patógenos. Essas medidas de manejo são essenciais para garantir a saúde e a produtividade das aves de corte, permitindo que os criadores alcancem seus objetivos de forma responsável e sustentável.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A avicultura de corte brasileira está em uma encruzilhada produtiva e ética. A pressão para produzir alimentos de forma eficiente coexiste com uma demanda crescente por sistemas que respeitem a vida e o bem-estar dos animais. O conhecimento aprofundado sobre a origem, a genética e o comportamento natural das aves é a base para a construção de um manejo humanitário e eficaz.

As práticas de manejo adequado, que incluem o controle ambiental, o enriquecimento do galpão e o cuidado em todas as etapas da cadeia, não são apenas requisitos de certificações, como a Certified Humane , mas, como afirmam produtores experientes, resultam em um melhor desempenho zootécnico, maior qualidade da carne e rentabilidade . Nesse sentido, investir em bem-estar é investir na sustentabilidade e no futuro da produção de proteína animal, garantindo que o frango de corte brasileiro continue sendo um sinônimo de qualidade, eficiência e, cada vez mais, de responsabilidade.

REFERÊNCIAS

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Como Citar:

Portal DOUTORZOO. ; BRITO, J, T, R de;  SIQUEIRA, K, G, de S.; SILVA, R, M de.; ROCHA, D.  C. C. Comportamento e Bem-Estar das Aves de Corte. Série: Comportamento e Bem Estar Animal/ Galinhas/ Aves de Corte. Artigo Técnico/ Ponto de Vista/ nº 1. Disponível em: https://doutorzoo.com/comportamento-e-bem-estar-das-aves-de-corte Publicado em 2026. Acesso em DIA/ MÊS/ ANO

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